A lógica dos cisnes negros

Cisne Negro

Em fevereiro de 2019, no início de nossa reunião da Vistage-CRM propus aos membros do grupo uma reflexão sobre o Cisne Negro. A pergunta que fiz, foi: “qual o Cisne Negro de seu negócio, de sua empresa, de sua vida?” Este conceito foi popularizado pelo analista de risco, megainvestidor do mercado financeiro e autor de diversos livros dentre eles “A lógica do Cisne Negro”, Nassim Nicholas Taleb. Em sua essência ele procura analisar o impacto de um evento raro, aparentemente inverossímil, para lá das expectativas normais, históricas, científicas, financeiras ou tecnológicas.

Vivemos em mundo que não conhecemos.
O grande problema é que o ser humano tende a subestimar a existência de Cisnes Negros. Uma das razões é que, por serem tão raros, alguns desses eventos nunca ocorreram na história.

O Cisne Negro
O termo Cisne Negro remete-nos ao séc XVII quando, até então, pensava-se que todos os cisnes fossem brancos. Por mais cisnes que fossem vistos, eles eram todos brancos. Até que, na Austrália, foi descoberto o primeiro cisne negro. Apesar de milhares de anos de observações de cisnes brancos, bastou o surgimento de um único cisne negro para derrubar a hipótese/crença de que “todos os cisnes são brancos”. O termo “Cisne Negro” foi criado pelo filósofo escocês David Hume, nos anos 1711-1776, justamente para demonstrar o “Problema da Indução”, ou seja, os equívocos do nosso processo de raciocínio indutivo – sempre baseado em fatos passados.

O futuro será governado cada vez mais por eventos extremos
Em seu livro, “A lógica do Cisne Negro”, Nassim parte do princípio que vivemos num mundo que desconhecemos. Um mundo não linear onde a lei de potências o governa, não a curva gaussiana de probabilidade normal. Alguns exemplos de não linearidade, são conhecidos de todos: os ataques terroristas de 11/09/2001, a crise financeira de 2008, o tsunami de 2004 na Indonésia, o desastre de Brumadinho e, claro, o novo coronavírus!

Como usualmente se comportam os agentes pseudo transformadores?
A ciência, os acadêmicos e os executivos das empresas tendem a focar no que conhecemos (o mundo conhecido, o mundo normal) convencidos de que não há fatos que desconhecemos que desconhecemos.

A história não rasteja, ela anda aos pulos
Conhecemos apenas os eventos da história (já ocorridos), mas não os fatores que os causaram. Nos baseamos na interpretação dos historiadores, que é feita a posteriori e a partir de um determinado viés, seja ele antropológico, social, político ou econômico. Os eventos importantes são não-lineares. A história não rasteja, ela anda aos pulos. Entretanto, agimos como se fosse possível prever o seu curso e, pior ainda, mudá-lo.

O saldo
Os impactos que estes “desconhecidos-desconhecidos” trazem para o mundo são, em geral, muito impactantes: matam (às vezes, dizimam – como no caso das grandes guerras), desempregam e levam à falência, muitas empresas. No entanto, são disruptivos. Promovem transformações antes inimagináveis. Promovem saltos tecnológicos e comportamentais, sem precedentes. Ainda estamos vivenciando as incertezas dos impactos que a Covid-19 promoverá, mas sabemos que nunca mais seremos os mesmos.
Mais ainda, considerando este mundo globalizado – para o bem e para o mal, precisamos ter sempre em mente, que o surgimento dos Cisnes Negros será cada vez mais frequente.