Alfredos, Auroras e a SELIC

Amanhã teremos mais uma reunião do COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central onde a pauta central será a manutenção ou o início do ciclo de redução da taxa básica de juros SELIC, que regula toda a economia do país.

Com a formação de economista, gosto muito das piadas a nosso respeito. Uma delas, muito apropriada para o momento, diz que “os economistas sempre discordam entre si para que não corram o risco de estarem todos errados ao mesmo tempo”.

O artigo (em anexo), de Pedro Cafardo jornalista que fez parte da equipe que criou o Valor Econômico publicado no mesmo jornal na data de hoje (27/1/2026), bem ilustra a discussão que o mercado trava nas vésperas desta importante reunião para toda economia.

Ele resume, de forma extraordinariamente simples, “cinco razões para cortar e cinco para não cortar a Selic amanhã”, título do próprio artigo.

No final, introduz o personagem “Alfredo”, que enriquece R$810 mil em 2025, aplicando suas economias em renda fixa (com risco próximo de zero). Um lucro de 12,7%, cerca de quase 3 vezes o IPCA, do mesmo período. Claro que Alfredo, amanhã estará na torcida para a manutenção da Selic nos 15% a.a.

Vou me permitir inserir uma outra personagem, para ilustrar o outro lado da mesma moeda. Aurora é uma empresa de capital intensivo e que, para continuar operando precisa de capital. Aurora fechou o ano de 2025 com um resultado operacional de 13%. Nada mal para o setor, que ela atua. No entanto, por conta do seu elevado endividamento, está prestes a entrar em recuperação judicial.

No grupo “doForum” de empresários, que participo, esta é a realidade. Empresas sem endividamento, ainda que com um mercado recessivo, navegam sem maiores dificuldades. As endividadas, não
necessariamente por má gestão, mas por necessidade do próprio modelo de negócio, torcem pela ocorrência de um quase milagre!

Enquanto os “Alfredos” e as “Auroras” torcem, em lados opostos da arquibancada, o jogo prossegue enriquecendo os rentistas e empobrecendo os que produzem, os que geram empregos e pagam, cada vez mais impostos.

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