Além dos limites, a arte de assumir riscos

Ainda sobre o Brasil Conference, que acontece em Harvard e MIT, na cidade de Boston com frequência anual, desde 2015, @flaviacamanho em artigo publicado no Valor com o título: “Além dos limites, a arte de assumir riscos” faz um recorte do tema liderança ao tratar a importância de assumir riscos. Recomendo o artigo. https://lnkd.in/dcPEC64j

A propensão individual de assumir ou não riscos está na base do capitalismo e do sucesso ou insucesso das instituições.

Acrescentaria ao referido artigo alguns pontos que me parecem de muita importância, neste complexo tema.

Uma educação voltada para o empreendedorismo e o nível de intervenção do estado na economia são fatores relevantes para uma geração mais ou menos empreendedora. Claro que tudo isso não retira a mais determinante característica de um empreendedor: a vocação individual que talvez a neurociência possa melhor explicar.

Mas existem fatores mais mundanos e, sobretudo, geracionais que influenciam sobremaneira esta característica. Os jovens, de modo geral, tem mais apetite ao risco. Estão em fase de afirmação e/ou de constituição de patrimônio. Este é um fator para que os CEOs de médias e grandes empresas sejam, preferencialmente, jovens. Por outro lado, os assentos dos Conselhos de Administração (ou Consultivos) devem ser ocupados, por profissionais mais experientes.

Sucessores de empresas familiares quando assumem a função de substituir o criador, sofrem pressões. Em geral, com sinais contrários. De um lado a de superar o criador. De outro a de, ao menos, manter o legado que recebeu. O que nem sempre significa pouca coisa. A convivência entre esta duas vertentes, nem sempre é pacífica e, normalmente, pende para um dos dois lados.

Está reflexão me remete a um empresário, com três filhos. Dois deles assumiram sua empresa no modo “faca nos dentes” e, em menos de cinco anos, triplicaram seu tamanho. Motivo de muito orgulho, para ele.

A filha do meio nunca quis, como se diz, “nada com a hora do Brasil”. Não trabalhava nem na empresa nem em outro lugar. O pai, empreendedor raiz, preocupava-se muito com esta situação. Qual seria a melhor forma de agir com ela? Esta era sua grande questão.

Dois caminhos possíveis: o primeiro, tentar convence-la da importância de entrar para a empresa ou fazer uso de seu dinheiro (que não era pouco) para empreender; o segundo ensina-la não a ganhar dinheiro, mas a não perder. Parece óbvio que a segunda linha era a mais apropriada a ser seguida.

Trata-se de uma questão vocacional que apesar de poder ser estimulada, não pode ser mudada. Dito de outra forma: as características individuais (endógenas) são mais fortes que as adquiridas (exógenas) na formação de um empreendedor.

Link da Publicação: https://www.linkedin.com/posts/cl%C3%A1udio-da-rocha-miranda_ainda-sobre-o-brasil-conference-que-acontece-activity-7183795630769639424-Me0l?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAQoylgBgao4S8u21aauID37T3DgFiFbIdU